20 octubre 2007

Maneiras de ver o mundo

Por que dizer que o Sul agora tornou-se o meu Norte? Na verdade, essa frase é uma variação do que uma vez disse Joaquín Torres García, um importante artista uruguaio que criou esse mapa (América invertida – 1943).

“…en realidad, nuestro norte es el Sur. No debe haber norte, para nosotros, sino por oposición a nuestro Sur. Por eso ahora ponemos el mapa al revés, y entonces ya tenemos justa idea de nuestra posición, y no como quieren en el resto del mundo. La punta de América, desde ahora, prolongándose, señala insistentemente el Sur, nuestro norte.
(Joaquín Torres García. Universalismo Constructivo, Bs. As. : Poseidón, 1941.)

Chegando ao Uruguai, e vindo de um país ao norte que já procurou dominá-lo territorialmente e economicamente (nesse último caso, a agenda de dominação ainda segue, disfarçada nos mecanismos do Mercosul), tenho que aprender a ver as pessoas e a realidade a partir de pontos de referência distintos.

A vivência e comunicação do evangelho se darão muito melhor quando ocorrer esse processo de encarnação na outra cultura. E tenho uma forte suspeita que isso não se dá rapidamente. Leva tempo, às vezes toda uma vida, para entender e comunicar o evangelho de vida em Jesus quando o vivemos e o transpomos em outra cultura.

A própria revelação de Deus chegou até nós nesse processo de mescla e transposição de várias culturas. As diversas culturas dos tempos bíblicos, as culturas dos intermediários em um longo processo histórico, a cultura dos missionários que chegaram com o “Livro” em nosso país, e agora a “minha” cultura quando chego no “outro” país.

Haja cultura, samba, tango, jeitinho brasileiro e garra charrúa (nação indígena uruguaia exterminada pelos brancos “cristãos” do passado) para lidar com tanta ponte, interpretação e aplicação das tais verdades que a gente ainda acredita que há no evangelho de Jesus.

A esperança é que recebemos uma mãozinha divina nesse processo. Deus em sua misericórdia vem e nos ensina no meio da jornada. Às vezes nos ensina de um modo que nos humilha. Mas é boa humilhação, digo sem ser masoquista. Quando a gente depende mais de Deus para entender algumas coisas, e quando ouvimos mais de nossos irmãos para entender a Palavra e crescer na fé, em um esforço comunitário e missionário, sinto que estou numa situação ideal para amadurecer, rumo ao que Deus quer de mim.

O que Ele quer de mim? Ah, no caminho vou descobrindo, com a graça de Deus...