16 junho 2008

Em todos os terrenos



(Série Histórias Agronômicas - II)

No capítulo mais agronômico* de todas as Escrituras, a primeira das parábolas chega para contar-nos acerca de um semeador com uma tarefa. Essa consiste basicamente em fazer um recorrido por vários tipos de terrenos, semeando em cada um deles.

Entre tantas e tão importantes lições, hoje fico com uma que me parece pouco notada. A de que o semeador passa por vários terrenos.

A pergunta, bem simples, seria essa. Por que ele passa por diversos terrenos, inclusive aqueles com “poucas chances”?

Estaria o semeador em busca daquele terreno ideal, em uma espécie de caça ao tesouro perdido, para que quando o encontre, abandone os demais?

Será que lhe faltou uma pesquisa prévia de mercado, para saber dos interesses de seus potenciais consumidores, e assim tentar prever o impacto de seu produto no mercado?

Teria lhe faltado orientação profissional e seria ele somente um inexperiente amador que precisa preparar-se melhor para essa tarefa?

Ou não seria simplesmente uma indicação de que não se deve fazer uma “pré-seleção do terreno”? Fico pensando se a ação do semeador poderia nos revelar a lição de que não há que buscar definir de antemão, como se isso fosse possível, donde seremos exitosos e donde não. Por essa lógica, alguém pensaria que poderia escolher semear e trabalhar somente onde imagina, ou aposta, que tudo lhe sairá bem.

O problema é que não é possível, nem desejável, alcançar essa certeza.

Não é possível porque não sabemos tudo, não temos o controle de todas as variáveis e circunstâncias. Também porque há outros elementos, assim o veremos nessas parábolas, que envolvem esse ato de semear com nossas frágeis mãos.

Também não é desejável porque não podemos excluir ou decidir que esse sim e que esse não. Ao contrário, Jesus nos ofereceu um modelo de compaixão por todas as pessoas, em todas suas necessidades. A paz e a vida são presentes oferecidos a todos, sem distinção.

(Continua...)

* Marcos 4

Foto: ©
Countryside: Crops
Upload feito originalmente por Tim Blessed

2 comentários:

*¨*Ellaehcarioca*¨* disse...

interessante seu ponto de vista porque a vida inteira eu ouvi apenas sobre as características de cada um dos terrenos em que a semente caiu e o futuro delas.Mensagens muito ricas,com certeza,mas ninguém explorou esse ponto.É importante ir atrás mesmo dos que nós consideramos mais difíceis,dosque ,em nossa opinião,nunca vão nos dar ouvidos porque não é a gente que convence, é o Espírito Santo.Nosso dever é´só acreditar nessas pessoas e compartilhar o que temos de bom pra oferecer a elas.
Bjs :)

Ricardo Wesley M. Borges disse...

Olá "Carioca",
Obrigado pelo seu comentário. Na verdade, confesso que sou meio "conservador", e temo "inventar" ou sacar conclusões de um texto que não estejam por lá, ainda mais em ensinamentos em linguagem figurada, como são as parábolas.
Mas aqui creio que essa lição combina com as ênfases que aparecem no restante do capítulo (eu as seguirei explorando) e com a ponte que Jesus mesmo pediu que fizéssemos, de ver-nos também como o semeador e não somente como o terreno que recebe a semente. E aí, o modelo que ele nos oferece, nessa parábola e em outros lugares, é um que deve ser seguido (João 17:18; 20:21)
Abraço!