22 março 2009

Me dá 30 segundos?


Autores reconhecidos, a quem eu admiro, deram remédio equivocado depois do correto diagnóstico.

Em um livro sobre apologética, a tal ciência que busca limpar os obstáculos do caminho até a fé, eles disseram que as pessoas não têm mais tempo para ouvir o que você tem a dizer. Isso, em tese, cria então um empecilho importante na tarefa de compartilhar as boas notícias da vida em Cristo.

Qual a solução? Ensinam que deveríamos aprender a resumir a excelente notícia em 30 segundos. Faz aí: diz em 5 minutos, reduz pra 2, resume em 1 e, quem sabe, estará preparado para o desafio final de anunciar a grande mensagem de salvação em menos tempo do que você leva (ou deveria levar...) para escovar os seus dentes.

É quase como se a sujeirinha que alimenta as bactérias que escavam meu esmalte dental merecessem mais atenção e tempo do que ouvir e dialogar com o interlocutor com quem compartilho minhas crenças mais íntimas.

Injusta e cruel interpretação do que queriam dizer? Talvez sim. Além do mais, sempre poderá ser um bom exercício esse de saber sintetizar e trazer até a essência o que alguém crê. Talvez até mesmo precisemos mais dessa saudável disciplina de eliminar o que é penduricalho e chegar a dizer em síntese o que é essencial em nossa fé.

Mas ainda sim, confesso, isso provoca em mim um grande incômodo. Não estaríamos diante da situação em que é preciso ser contra-cultural, desafiar o ethos da indiferença, do individualismo, da suposta falta de tempo e daí cultivar espaços ricos em que nos dediquemos a passar mais tempo uns com os outros, para conhecimento mútuo, convidando então esses “outros” a que entrem em nossa intimidade, resgatando a hospitalidade e o compartilhar da mesa?

Não se poderia assim atuar contra a cultura de nossa época e encontrar algo mais do que meio minuto para dialogar a respeito da fé que salva?

Penso que meu tempo se acabou. Faz o seguinte. Vem aqui em casa para que tomemos juntos um bom café ou o acertado e amargo mate uruguaio. Quem sabe não seja um bom começo? Só uma condição, terá que ficar mais do que 30 segundos...

Foto: © Percezioni spazio-temporali / Spatiotemporal perceptions

Upload feito originalmente por Mad.Doc

2 comentários:

Vinicius disse...

Que bom que nosso Jesus revelado nos evangelhos era cheio de afetos e não tinha pressa ao se relacionar com as pessoas, estava disposto a sentar em uma mesa com publicanos e pecadores, parava seu percurso para dar atenção a aquele que estava na beira do caminho, que muda o percurso rumo a casa de Zaqueu.
Não tem como transformar a mensagem que é encarnada em simples palavras, que bom que Jesus não é substantivo, mas verbo.

Muito bom o texto, visite o meu blog http://vibarajas.wordpress.com/

Ricardo Wesley M. Borges disse...

Olá Vinicius,
Valeu pelo comentário. Já está a caminho da Argentina?
Abraços!