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10 junho 2009

A fama é um mal-entendido


“Quais são os famosos que vocês estão produzindo hoje?”. A pergunta direta fez a farofa do frango entalar. Foi em meus tempos de ministério com a ABU quando curtia um até então pacífico intervalo gastronômico nessa interessante conferência missionária em terras mineiras.

Ante meus olhos esbugalhados e atento a um ossinho galináceo pendurado em minha muda boca, meu interlocutor, um importante líder eclesiástico, aparentemente resolveu esclarecer sua indagação. “Digo, no passado, vemos que nomes hoje destacados, como Valdir Steuernagel e Robinson Cavalcanti, militaram nas bases da ABU. Quem são as pessoas famosas da próxima geração que vocês estão preparando hoje?”

A lembrança do episódio me remete a um excelente escritor uruguaio, Juan Carlos Onetti, que se estivesse vivo completaria seu centenário nesse ano de 2009. Dizem seus biógrafos que para ele a fama era obra de um mal-entendido. Em suas palavras:

“A grande maioria de nossos escritores trata de alcançar o triunfo. E a esse se chega de maneira incidental e nunca deliberada. Se alcançamos o êxito nunca seremos artistas plenamente. O destino do artista é viver uma vida imperfeita.”1

Deixo para críticos literários a avaliação se isso é algo mais do que o arroubo e o drama de um artista. Ou se há alguma verdade importante em suas palavras. Por agora, não deixo de pensar no papel dos profetas bíblicos e em seu aparente quase sempre “fracasso”.

Outros poderiam argumentar que o artista só é artista quando busca a fama e o reconhecimento público. E que talvez essa ambição seja mais comum e universal do que gostaríamos de admitir.

Pois bem, uma vez que falamos de artistas e de escritores, tomo a liberdade de abusar de sua paciência com outra citação, agora brasileira e machadiana:

“Um tio meu, cônego de prebenda inteira, costumava dizer que o amor da glória temporal era a perdição das almas, que só devem cobiçar a glória eterna. Ao que retorquia outro tio, oficial de um dos antigos terços de infantaria, que o amor da glória era a coisa mais verdadeiramente humana que há no homem, e, conseguintemente, a sua mais genuína feição.
Decida o leitor entre o militar e o cônego…”
2


Claro, também decida o leitor porque alguém escreve e publica sobre o assunto da fama, se não é o caso que ambiciona ser lido por muitos. Não seria essa uma contradição interna? Ou pelo menos um flerte com essa tal busca pela ‘glória temporal’?

Ou seja, isso me obriga a refletir sobre a característica própria quer seja do artista, do escritor, do profeta, do pregador, ou da simples testemunha de sua fé em Cristo. Sobre essa que me parece ser uma obrigação inescapável, a de que vivam a expressão de seu ser e do que produzem para que todos vejam, para que esteja aí, na esfera pública.

Ora, nenhum crente em Cristo é chamado a esconder-se. Sempre deve expor tudo o que é e o que crê ao crivo do juízo público. É parte da essência de sua própria fé. Ou parte da própria identidade do profeta ou do artista.

Teria então razão meu nobre colega pastor que interrompeu meu seco galináceo? Creio que não. No mínimo diria que sua pergunta estava fora de foco. Isso porque penso em duas marcas necessárias do artista, profeta ou do ‘cristão comum’: integridade e compromisso público.

Primeira, a integridade que aponta à honestidade de sua própria essência interna, à fidelidade quanto à sua identidade. Para o crente ela vem dessa convicção profunda produzida pelo chamado de seu Senhor.

E a segunda, o compromisso público que tem a ver com a ‘prova’ exterior do cumprimento de seu chamado, que por sua vez sempre deve ser vivido debaixo do olhar alheio. O chamado daquele que carrega uma verdade que só é verdade quando é contada a todos. Mas que nessa exposição corre um duplo risco: o da rejeição e o da fama.

Óbvio, ambos são riscos. A desaprovação sempre é algo sofrido pessoalmente e pode levar, ou não, à revisão de sua integridade íntima. Aquele que é rejeitado pode querer ao fim abandonar sua verdade em função do acolhimento alheio. Por isso mesmo trata-se de uma tentação.

E a fama também o é, na medida em que sou levado pelo deleite da glória e da aceitação, esquecendo-me que ela é muito mais fruto de um incidente, e que também pode distrair-me de minha vocação mais sublime, que nem sempre me levará ao aplauso.

“Quais são os famosos que estamos produzindo hoje?” Não sei, nem me importa a pergunta. Mas se ajudo a formar discípulas e discípulos íntegros, fiéis ao seu chamado, em lugares ou circunstâncias que pouca atenção venha a receber dos microfones e holofotes, entendo que devo estar contente. E feliz volto ao meu frango com farofa.

1 Oneti. Perfil de un solitário Omar Prego Gadea, Ediciones de la Banda Oriental, 1986, p. 38.

2
Memórias Póstumas de Brás Cubas Machado de Assis. Agradeço ao Laion Monteiro por essa citação.


Foto: ©
Applause

Upload feito originalmente por Justin Cormack

Artigo escrito originalmente para o Portal Cristianismo Criativo

20 setembro 2008

O Nordeste é ali



A noite avançava enquanto a fresca brisa do mar carioca abrandava o cansaço da já longa reunião. Jovens lideranças evangélicas intercambiavam idéias e reflexões acerca de um futuro conclave da juventude evangélica nacional.

Chegou-se o momento de discutir o local do tal evento. Meu bom amigo carioca, anfitrião dessa tertúlia, propôs com firmeza “o encontro tem que ser no Nordeste!”. “O Nordeste é longe!”, rebateu outro nobre companheiro. Sem titubear, meu amigo contra-atacou “longe pra quem?”.

O olhar espantado do interlocutor acerca do supostamente distante e inacessível Nordeste me fazia suspeitar que ele ainda não tivesse se dado conta do quanto seu comentário havia sido geograficamente autocentrado.

Ao fim, e resumindo, esse encontro não se realizou no Nordeste, o que foi uma pena. Prevaleceu uma péssima lógica sulista paulista que infelizmente valoriza apenas o que acontece em latitudes capricornianas.

Minha confissão de hoje é a seguinte. Sou paulista, como meu colega da proposta que prevaleceu. Nunca me achei lá muito preconceituoso, ainda que meu grande amigo carioca vivesse me alertando sobre como os paulistas pensam que São Paulo é o centro do mundo. E nem adiantava contestar. Se um bom bêbado nunca admite sua embriaguez, um bom paulista nunca deve admitir seu etnocentrismo.

Tinha sempre o benefício ou a possibilidade de mudar o endereço da crítica e transferir a acusação aos paulistanos. Eu, do interior, pensava o mesmo dos esnobes da capital, algo parecido à opinião dos argentinos em geral acerca dos portenhos (aí a piada óbvia e imperdível é que nesse caso eles estão certíssimos; mas como o objetivo aqui não é falar mal dos vizinhos tangueiros, volto à auto-crítica).

Foi só quando vivi na Inglaterra que tive a oportunidade de ver essas coisas sob uma perspectiva diferente. Talvez tenha se dado por sofrer na própria pele o preconceito. Os olhares, os comentários, o dito e o não dito. Sentia-me mal, e lembrava-me das queixas de amigos nordestinos. Eles tinham razão! Dói na alma ser discriminado e diminuído.

Posso ter meus defeitos, quem não os têm, mas ouvi-los da boca do estranho que se vê, ou se imagina superior a mim, provoca aqui dentro imediata reação.

Lembro-me dos comentários daquele nosso professor inglês acerca da corrupção na América Latina. Ele tinha razão, não havia como negar. Mas como não é bom ouvir críticas a alguém de casa por um desconhecido arrogante, a resposta veio rápida. Deliciei-me ao vê-lo tentar responder à forte reação de minha querida esposa, mencionando em classe os inconvenientes morais acerca do que os suíços fizeram com o ouro dos judeus roubado pelos nazistas, e outros pecadilhos europeus.

Se for para falar dos defeitos alheios, que nos lambuzemos antes no reconhecimento de nossos próprios. Creio que assim se pode chegar a uma perspectiva mais honesta e autocrítica da realidade.

Meu bom amigo carioca desfruta nesse momento de uma especial experiência de vida em terras catalãs. Já eu vivo e curto o auto-exílio em terras mais ao Sul. Seriam protestos silenciosos acerca de um Brasil que cada vez mais esparrama suas ambições de poder no mundo? Não, não estamos para tanto. Nem nós, tampouco o Brasil. Mas se o país estivesse mesmo com essa bola toda, ficaria louco de vontade de propor o Nordeste para a próxima sede da ONU.

Foto: © Caatinga
Upload feito originalmente por Marcio Fernando

18 abril 2008

Profetas “para dentro” e “para fora” - 2


Encaro a tal promessa feita no artigo passado. Se você não acompanha tão assiduamente o blog como o faz a tia Dorotéia, eu lhe explico do que se trata. Impensadamente eu prometi continuar a explorar as causas sobre o porquê supostamente temos sido mais profetas “para dentro” do que “para fora” da igreja.

Sigo nessa exploração através de um exercício de auto-crítica. Era o começo da década de 90 e eu me havia proposto a preparar uma apostila para um curso de formação de líderes da ABU. O tema era um exagero ambicioso, e aqui uso a palavra ambição no sentido negativo que lhe podemos atribuir. Propunha-me a explorar o singelo assunto dos “desafios da (pós) modernidade”.

O fato de ter usado o “pós” entre parênteses não sucedeu por qualquer requinte conceitual. Era dúvida mesmo, simples e crua, se me acercava dos desafios da tal modernidade que tanto nos modelou e ainda nos modela, ou se me aproximava dos conceitos que não entendia bem (sigo sem saber dominá-los) da chamada pós-modernidade.

Apresentei um primeiro esboço da empreitada a alguns amigos. Lembro-me da reação da boa amiga Lígia Pupo. Ela me perguntou assim, sem rodeios, “que leitores não-cristãos você leu acerca do tema?”. Fiquei meio assim sem saber como responder, talvez porque ela acabava de expôr meu tendão mortal, enquanto continuou paciente e didaticamente, “digo esses autores que representam, em seus livros, seu pensamento, o que foi ou é o modo de pensar de uma geração”.

Touché! Fora atingido no elo mais fraco, e teria que admitir meu fracasso. Não é o caso de que eu não estivesse lendo coisa boa. Era a época de minha descoberta de autores fabulosos como Lesslie Newbigin ou Jacques Ellul. Preciso, e talvez muitos entre nós também, ler ou reler obras de autores como esses dois para que aprendamos a ser profetas de verdade no meio de nossa geração e realidade.

O problema é que eu não posso deixar de fazer a lição de casa que eles próprios tentaram nos ensinar. A de que só terei alguma chance de ser relevante no que digo à sociedade ao meu redor, no debate público que nenhum cristão pode se furtar, se eu de fato conhecer a mentalidade reinante, seus esquemas, seus pressupostos aceitos e muitas vezes ocultos, e conhecê-los em primeira mão, desenvolvendo meu próprio olhar crítico. Isso porque o que recebo já mastigado traz as marcas da dentadura de um que já ruminou o negócio. Tenho que sentir o gosto eu mesmo, desenvolver a habilidade de um copeiro real, saber cheirar a intriga e desvendar a charada antes que ela me envolva de tal maneira que aceite e coma qualquer coisa que seja colocada diante de mim.

Então, faça o controle na sua lista de livros e programas que você vê e ouve. Não se alimente só do que é “seguro” e “bom” para a sua alma. Você não chegará à vacina se não se arriscar a provar um pouco desse veneno. Como não se perder ou morrer no meio do caminho? Bom, se você acreditou na promessa anterior e leu essa seqüência do tema, talvez não seja difícil que eu lhe engabele uma vez mais e convide-o a voltar por aqui e ver até onde podemos ou queremos chegar. Até lá!


Foto: ©
Revolving Doors.
Upload feito originalmente por Ange Soleil ( a.k.a Tweng )

14 abril 2008

Profetas “para dentro” e “para fora”



“Fulano é um amor de pessoa!”. Ao lado, a esposa do indivíduo reage com olhar de surpresa e um risinho contido. Uma cena comum, talvez fruto da confusão entre intimidade e grosseria a que uma vez referiu-se C. S. Lewis. Funciona mais ou menos assim. Para dentro de casa, na família, falo o que penso e do jeito que quero. E ainda defendo essa “liberdade” como um sinal de intimidade. Para os de fora, a gentileza e amabilidade acima de qualquer suspeita.

Ampliemos a metáfora para pensar um pouco sobre o que acontece dentro e fora da Igreja. Para esse exercício, podemos pensar tanto na realidade ampla da Igreja maior, visível e invisível, como na comezinha vida de uma comunidade eclesiástica, grande ou pequena, à qual você ou eu nos conectamos.

Tenho a impressão de que muitas vezes nos especializamos e nos esforçamos em ser bons profetas “para dentro” de nossas comunidades e não tanto profetas “para fora”, para a sociedade maior onde vivemos.

Pense um pouco sobre o conceito de profeta. Aquele que é capaz de “ler os sinais dos tempos”. Ou seja, ler a realidade a seu redor, com senso crítico, discernindo os acontecimentos de seu tempo, buscando entender porque vivemos assim, o que está oculto e não revelado ou para onde vamos se seguimos nesse caminho. Hábil para entender para que opções e padrões nos dirigimos, tanto nas relações interpessoais, como nos modelos de famílias ou nas sociedades que construímos, como nas nações que modelamos ou ainda nas relações que estabelecemos entre elas no mundo de hoje.

Então o profeta é aquele capaz de “denunciar” e “anunciar”. Denuncia o mal e a injustiça, para anunciar o juízo e a misericórdia, as conseqüências que levam à morte, mas também as promessas de esperança e de vida.

Creio que, no exercício de nossos dons como profetas, agimos muito mais “para dentro” de nossas comunidades eclesiásticas do que “para fora”. Somos bons, especialmente em certos círculos, em criticar os equívocos e desvios da Igreja. Obviamente que esse é um exercício sumamente necessário. Ainda assim, pergunto-me se nossos olhos andam atentos e se nossa voz também se levanta firme quando se trata de questionar o estabelecido e amplamente aceito no mundo e sistemas em que vivemos. Falo de sistemas econômicos, políticos, como também de sistemas morais e sociais em que vejo pouca contribuição e coragem (incluindo a mim mesmo) para levantar a voz a favor do bem e da justiça.

Por que somos bons ao criticar e denunciar “para dentro” e pouco efetivos ou corajosos para fazer isso “para fora”? Uma possível explicação seria a de que a mentalidade “do mundo” (entendido como um sistema perverso e vil que escraviza as pessoas) também se encontra facilmente dentro das paredes da Igreja. Mas essa é somente parte da explicação e tema para outra reflexão, que por si só demanda seriedade e profundidade.

Por agora arrisco-me a tentar outra explicação. Não conhecemos o mundo em que vivemos. Não sabemos ler bem nossa realidade. Assim, não temos como discernir o que deve ser “denunciado”, nem o que deve ser “anunciado” (e esse acontece também porque pouco sabemos acerca do que consiste nossa fé).

Falta-nos leitura, falta-nos senso crítico, assim como uma firme disposição e as ferramentas adequadas para ler os sinais de nossos tempos. Também nos falta a “intimidade” que a esposa do Fulano tinha para rir acerca do olhar ingênuo e externo acerca de seu nobre esposo.

Também nos falta agora o espaço para seguir explorando essas causas. Prometo então seguir o assunto em outro artigo. Creia em mim, sou bom em promessas! Tudo bem, já sei o que você irá fazer: buscará ver no cantinho da boca de minha esposa se há o esboço de alguma risadinha. Pode fazer isso, nem me importo. Vá exercitando sua habilidade de tentar “ler” bem a realidade e a verdade por detrás das palavras! Vemo-nos na seqüência do tema, é claro, se eu cumprir a promessa...

Foto: © Hülya Bayrak

04 março 2008

"Por que teu fusca é verde?"



(Série Entrevistas – II)

Descobri mais entrevistas aqui no baú. A que aqui reproduzo1 foi dada a um repórter da Enfoque Gospel por ocasião do 2º Congresso Brasileiro de Evangelização, novembro de 2003, em Belo Horizonte.

Encontrei outras, como as em que tentei dar explicações sobre a "orientação doutrinária e pentecostal" da ABU, ou responder se ela se associava a “grupos comunistas de diversas correntes...”. Teve também aquela, mas essa foi divertida, em que tive que oferecer uma resposta à profunda questão existencial “por que teu fusca é verde?”. Mas anuncio que o imenso público leitor desse blog será poupado dessas.

Assim, como não convém seguir falando de si mesmo (veja Livros, blogs e o fim do mundo), prometo encerrar a série “Entrevistas” com um relato que vem do outro lado do Atlântico, através de uma entrevista que fiz com meu amigo queniano Duncan Olumbe. Até a próxima!


EG - Quais foram os maiores avanços e os maiores recuos da igreja evangélica brasileira?

A igreja evangélica cresceu, aumentou sua visibilidade e, de certa forma, o evangelho tem chegado a mais pessoas. O problema se dá muitas vezes com o tipo de evangelho que vivemos e pregamos. A tentação de distorcer esse evangelho para se adequar às regras do mercado da adesão religiosa pode ser grande. Por outro lado, o crescimento abre oportunidades não vistas antes. Essas portas abertas precisam ser bem aproveitadas, levando em conta sempre a necessidade de fidelidade ao evangelho das Escrituras e a sensibilidade que precisamos ter para uma adequada inserção e comunicação com a geração de nosso tempo.

EG - O que mais preocupa no atual quadro da igreja evangélica?

Talvez seja a pergunta acerca de quem são os evangélicos hoje. Nossa identidade é fragmentada, confusa. Tanto a percepção acerca do que cremos como a imagem pública que projetamos na sociedade. Ser evangélico hoje significa muita coisa diferente, desde a pregadora judaizante até a artista libertina da televisão. Isso deve dar um nó na cabeça das pessoas. Precisamos redescobrir nossa identidade. Mas em meio à nossa fragmentação e desunião, isso não parece ser uma tarefa simples.

EG - O que demonstra a expansão do público evangélico no país? Isso é qualitativo ou só quantitativo?

Não dá para dizer que é só quantitativo. A igreja evangélica que sobe nas favelas e que faz diferença nesse meio é algo fantástico. Precisamos aprender muito acerca de novas iniciativas de missão em nosso meio, como esses casos das favelas, dos ministérios entre os excluídos e marginalizados, das pequenas igrejas se multiplicando no meio do sertão. São fenômenos que acontecem distantes do crescimento de grandes igrejas nos centros urbanos, essas que costumam atrair uma juventude ávida por novidades. Há crescimento para todos os gostos. Mas ainda que seja crítico, não posso ser negativo acerca da possibilidade da ação de Deus em nosso meio.

EG - Quais são as novas metas que a igreja precisa alcançar?

Seguindo na linha da pergunta anterior, precisamos de qualidade (evangelho bíblico sendo pregado e bem entendido) juntamente com a saudável preocupação da quantidade (é claro que desejo que o maior número de pessoas seja alcançado com o evangelho de Cristo). Precisamos conhecer melhor a realidade diversa de nosso país, e viver um evangelho que possa produzir mudança nas pessoas, nas leis, nas estruturas, em toda a sociedade. O evangelho que nos foi confiado não é para um gueto. É para a transformação de um país, e para o envio de missionários servos para muitas nações desse mundo. Devemos assumir essa responsabilidade, e trabalhar mais para que isso aconteça.

EG - Como secretário geral2 da ABUB, qual é sua visão diante da preocupação da igreja em investir na pregação para os jovens e na preparação de jovens que façam a diferença?

Precisamos saber melhor preparar nossa juventude para uma vida de serviço e missão, onde quer que o Senhor nos colocar e nos enviar. Precisamos ir na contra-mão de uma superficialidade individualista e consumista que bombardeia a cabeça do jovem de hoje. Creio que o nosso papel não é tanto o de criarmos redes para proteger nossos jovens dos perigos do mundo. Precisamos prepará-los e discipulá-los para que assumam seu papel como testemunhas de Cristo, que saibam se conectar com a geração de seu tempo, e que desenvolvam uma fé madura em meio às lutas e percalços da missão a que são chamados.

EG - Um grande número de jovens se afasta da igreja alegando não haver programações interessantes. Isso é uma realidade da igreja evangélica? Como superar isso?

Não creio que o nosso desafio seja o de produzir programações interessantes. Precisamos do evangelho de Jesus, e que ele seja comunicado de maneira inteligível a essa geração. Se a proclamação do evangelho for criativa, viva, com a utilização de dons variados, ótimo. Mas o foco não deve ser o "como posso atrair mais jovens", e sim como eu tiro os obstáculos desnecessários para que a Palavra de Deus mais uma vez mostre o seu poder de atração e de transformação na vida dos jovens de hoje. Esse continua sendo um tremendo desafio para a igreja.

1 Mike era o nome do simpático repórter. Nunca soube se ela foi ou não publicada. Por não saber, suspeito que não. Tudo bem, ao conhecer o "editor" desse blog aqui, torno a coisa pública. Assim, vocês podem dar razão ao editor da revista :-)

2 O atual secretário geral da ABUB é Reinaldo Percinoto Jr., um merecido upgrade.

Foto: ©
Volks
Upload feito originalmente por TantoFaz